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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Romantismo

Tendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).
ARTES PLÁSTICAS –O romantismo chega à pintura no início do século XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco Goya (1746-1828). Na França destaca-se Eugène Delacroix (1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra, o interesse pelos fenômenos da natureza em reação à urbanização e à Revolução Industrial é visto como um traço romântico de naturalistas como John Constable (1776-1837). O romantismo na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens de Caspar David Friedrich (1774-1840).
LITERATURA –A poesia lírica é a principal expressão. Também são freqüentes os romances. Frases diretas, vocábulos estrangeiros, metáforas, personificação e comparação são características marcantes. Amores irrealizados, morte e fatos históricos são os principais temas. O marco da literatura romântica é Cantos e Inocência (1789), do poeta inglês William Blake (1757-1827). O livro de poemas Baladas Líricas, do inglês William Wordsworth (1770-1850), é uma espécie de manifesto do movimento. O poeta fundamental do romantismo inglês é Lord Byron (1788-1824). Na linha do romance histórico, o principal nome é o escocês Walter Scott (1771-1832). Na Alemanha, o expoente é Goethe (1749-1832), autor de Fausto.
O romantismo impõe-se na França no fim da década de 1820 com Victor Hugo (1802-1885), autor de Os Miseráveis. Outro dramaturgo e escritor francês importante é Alexandre Dumas (1802-1870), autor de Os Três Mosqueteiros.
MÚSICA –Os compositores buscam liberdade de expressão. Para isso, flexibilizam a forma e valorizam a emoção. Exploram as potencialidades da orquestra e também cultivam a interpretação solo. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista.
A transição do classicismo musical, que acontece já no século XVIII, para o romantismo é representada pela última fase da obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). Nas sonatas e em seus últimos quartetos de cordas, começa a se fortalecer o virtuosismo. De suas nove sinfonias, a mais conhecida e mais típica do romantismo é a nona. As tendências românticas consolidam-se depois com Carl Maria von Weber (1786-1826) e Franz Schubert (1797-1828).
O apogeu, em meados do século XIX, é atingido principalmente com Felix Mendelssohn (1809-1847), autor de Sonho de uma Noite de Verão, Hector Berlioz (1803-1869), Robert Schumann (1810-1856), Frédéric Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886). No fim do século XIX, o grande romântico é Richard Wagner (1813-1883), autor das óperas românticas O Navio Fantasma e Tristão e Isolda.
TEATRO –A renovação do teatro começa na Alemanha. Individualismo, subjetividade, religiosidade, valorização da obra de Shakespeare (1564-1616) e situações próximas do cotidiano são as principais características. O drama romântico em geral opõe num conflito o herói e o vilão. Os dois grandes expoentes são os poetas e dramaturgos alemães Goethe e Friedrich von Schiller (1759-1805). Victor Hugo é o grande responsável pela formulação teórica que leva os ideais românticos ao teatro. Os franceses influenciam os espanhóis, como José Zorrilla (1817-1893), autor de Don Juan Tenório; os portugueses, como Almeida Garrett (1799-1854), de Frei Luís de Sousa; os italianos, como Vittorio Alfieri (1749-1803), de Saul; e os ingleses, como Lord Byron (1788-1824), de Marino Faliero.
ROMANTISMO NO BRASIL –O romantismo surge em 1830, influenciado pela independência, em 1822. Desenvolve uma linguagem própria e aborda temas ligados à natureza e às questões político-sociais. Defende a liberdade de criação e privilegia a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade, a natureza, os temas nacionais, as questões político-sociais e o passado.
Artes plásticas –Os artistas dedicam-se a pinturas históricas, que enaltecem o Império e o nacionalismo oficial. Exemplos são as telas A Batalha de Guararapes, de Victor Meirelles (1832-1903), e A Batalha do Avaí, de Pedro Américo. O romantismo também influencia as obras dos pintores Araújo Porto Alegre (1806-1879) e Rodolfo Amoêdo (1857-1941).
Literatura –O marco inicial do romantismo brasileiro é a publicação, em 1836, de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães (1811-1882). A produção literária passa por quatro fases. A primeira (1836-1840) privilegia o misticismo, a religiosidade, o nacionalismo e a natureza. Seus expoentes são Araújo Porto Alegre e Gonçalves de Magalhães.
Na segunda (1840-1850) predominam a descrição da natureza, a idealização do índio e o romance de costumes. Os destaques são Gonçalves Dias, poeta de Canção dos Tamoios, José de Alencar, autor de O Guarani, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), de A Moreninha.
Na terceira (1850-1860), o nacionalismo intensifica-se e preponderam o individualismo, a subjetividade e a desilusão. Na poesia sobressaem Álvares de Azevedo, de Lira dos Vinte Anos, Casimiro de Abreu (1839-1860), de Primaveras, e Fagundes Varela (1841-1875), de Cantos e Fantasias. Na prosa consolidam-se as obras de José de Alencar, com Senhora, e Bernardo Guimarães (1825-1884), com A Escrava Isaura. Destaca-se ainda Manuel Antônio de Almeida (1831-1861), com Memórias de um Sargento de Milícias.
Na última fase (1860-1880), época de transição para o realismo e o parnasianismo, prevalece o caráter social e liberal ligado à abolição da escravatura. O grande nome na poesia é Castro Alves, autor de O Navio Negreiro. Outro poeta importante é Sousândrade (1833-1902), de Guesa. Na prosa destacam-se Franklin Távora (1842-1888), de O Cabeleira, e Machado de Assis, em suas primeiras obras, como Helena. Com o romantismo surgem as primeiras produções do regionalismo, que retrata de forma idealizada tipos e cenários de regiões do país.
Música –Os compositores buscam liberdade de expressão e valorizam a emoção. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista. A ópera se desenvolve no país. Seus principais representantes são Carlos Gomes, autor de O Guarani, e Elias Álvares Lobo (1834-1901). Eles são auxiliados por libretistas como Machado de Assis e José de Alencar. Em 1863 estréia Joana de Flandres, de Carlos Gomes, com texto em português. A última ópera apresentada nesse período é O Vagabundo, de Henrique Alves de Mesquita (1830-1906). Uma segunda fase do movimento é marcada pelo folclorismo. Sobressaem Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Luciano Gallet (1893-1931).
Teatro –Desenvolve-se a partir da chegada da corte portuguesa, em 1808. A primeira peça é a tragédia Antônio José ou o Poeta e a Inquisição (1838), de Gonçalves de Magalhães, encenada por João Caetano (1808-1863). Martins Pena, autor de O Noviço, é considerado o primeiro dramaturgo brasileiro importante. Individualismo, subjetividade, religiosidade e situações cotidianas são as principais características do período.

Veja poesias:
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Ventos

É o paraíso teu corpo
Eu sou homem pecador
Não posso gozar tua paz
Não sabes o que é amor.

A morte faz guarda no portão
Com invisíveis lâminas afiadas
Que até ao vento impuro destroça

E te acerca, o teu universo extenso,
O negro véu suspenso
Onde o pecado nu se amostra.

Tuas veredas estão tristes, vazias...
Daqui, eu posso vê-las;
Tu, porém nada vê
Além de espaço e estrelas.

Folhas secas apodrecem ao chão
Sem pés que, por prazer, as pise;
O vento as arrancou em vão

E nos ramos escapelados brotam viçosos botões,
Que ao beijo do sol se abrem,
Mas os reprime soturnos lampejos em ecos de trovão.

Contudo, ao vento sonial muralha alheia não o detém,
Teus viçosos rebentos se lançarão à sorte os pólens
Que no sopro dos sonhos irão pousarem-se nas flores d’além.

Formosos rebentos
Cuja vitalidade e anseios varonis,
Hão de levar alento
Às camélias e dafnes d’outros jardins vis.

É o teu corpo luz
_ flor da procriação _
Eu sou o sexo dos ventos
Teu corpo seduz meu hálito
Beijo-te a corola com sêmen da renovação.

Deus está sentado no seu palácio de cristal
_ e nos contempla _
Ouvindo anjos cantarem hinos
Enquanto rezo nosso destino
em contas de gotas de diamante.

A cada sonho virgíneo de vento e botão
Um riso divino de glória e contemplação.

Certamente frutificarão nossos brotos
Eclodirão novas sementes
As quais também se libertarão
dos dogmas dos antecedentes.
Monótono permanecerá teu paraíso
Tu só, chorando a primavera ausente.

Eu aguardo no portão,
Olhos fixos na cortina do tempo,
Tu sabes que não me é permitido entrar
Mas tu podes sair nas asas no vento.

Deus esta sentado no seu palácio de cristal
Ouvindo o eterno canto dos anjos
Enquanto reza o nosso destino
No seu velho rosário dos anos,
Suspira em deleite a sorte de ser Deus
Afaga as frias contas brilhantes
Deixando o livre arbítrio _ a felicidade_
À sorte dos filhos errantes.

Veja:

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Transe


Transe


Ontem, antes de morrer, eu tive uma visão linda:
Eu vi uma imagem de gente
Eu vi uma paisagem de sonho na imagem de gente.

Soprava uma brisa perfumada:
Tinha cheiro de vida
Um cheiro quente;

Tinha gosto de cheiro: Pão!
Pão de queijo hortelã e goiabada

Eu sabia o que era
Só não sabia de onde vinha

Era pão!?
Era pão.
Era mulher: Mulher-pão!
Pão ázimo
Pão-de-brisa
Pão-de-mel
Pão dos anjos
Pão dos aflitos
Pão-de-ló
Pão do espírito
Pão-beijo
Pão da alma
Pão, pão, queijo, queijo
Pão-desejo

... Eu não sabia que pão!
Pão caseiro
Pão eucarístico
Pão-de-cada-dia?...
Pão bento
Pão santo...

O verde era verdura
O colorido era flor e fruto
O tempo era só dia
Cristal d’água corrente
Às vezes corrente;
Ia.

Eu era vento
Um vento manso
Manso e bruto
E pensava ser semente...
Mas também era pão
Pão em semente
Pão d’água
De água e pão...
Foi ontem!

Ontem, antes de eu morrer;
Antes de eu morrer anteontem.

Hoje eu já tô morrendo
Mas ainda não vi nada
Nem sequer sonhei
Ta tão longa essa madrugada!...

Sinto um calor!...
Um calor de sol...
Uma friagem!...
Cheiro de flores...
Flores de pão?!
Não sei!...

É sol!
Aquele sol que sonhei!
Ontem


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terça-feira, fevereiro 20, 2007

Paixão

Paixão

E Deus chorou tanto tanto que adormeceu exausto.
Ele sabia, mas não acreditava
Que seu filho, homem, seria capaz:
De suportar aquela cruz
E com tantos tropeços e quedas
Erguer-se-ia para ir até o fim.

Ele sabia, mas não acreditava
Que Ele homem suportaria:
O reinado de humildade
A traição dos servos
A coroa de espinhos
Os cravos martelado-Lhe
A lança...
A sede...
O fel...
O frio...
O abandono.

E ainda dedicar-Lhe o último suspiro
Uma declaração de amor
E o pedido de perdão!?

Ele sabia, mas não acreditava
Que Ele, seu Filho homem, acreditava.

Ele sabia, mas não acreditava
Que seu filho homem acreditava
Que era seu filho e imagem semelhança.

Ele sabia, mas não acreditava
Que todos fossemos irmãos
Filhos e deuses.

Naquele dia Deus chorou tanto tanto que adormeceu exausto.

E no seu antigo mundo de sonho sonha com seu primogênito
Outro universo.