Aos Conselhos de Ética, Sindicatos e Organizações de Defesa dos Direitos Humanos,
Vimos, por meio desta, manifestar profunda indignação e denúncia contra a prática recorrente de negligência sistêmica travestida de responsabilidade social. Enquanto o calendário corporativo se pinta de branco em janeiro e de amarelo em setembro, prometendo acolhimento e escuta, as estruturas internas de muitas organizações e órgãos governamentais operam no sentido oposto: a invisibilização daqueles que, adoecidos pela própria engrenagem, são lançados ao que chamamos de "Limbo Previdenciário".
1. O Marketing da Empatia vs. A Realidade do Abandono
É inaceitável que empresas invistam em palestras motivacionais e semanas de SIPAT enquanto mantêm funcionários em estado de suspensão existencial. O "Limbo" não é apenas um vácuo burocrático; é uma ferramenta de tortura psicológica. Quando o médico do trabalho, a assistência social e a gerência silenciam diante de um trabalhador afastado há meses ou anos, eles não estão apenas falhando administrativamente — estão cometendo um ato de violência institucional.
2. O Limbo como Ferramenta de Assédio Moral
A ausência de contato, a negação de informações e o "jogo de empurra" entre empresa e previdência pública criam um cenário de aniquilação da subjetividade.
O Isolamento: O trabalhador deixa de ser um colega para se tornar um "problema jurídico".
A Indiferença: A falta de uma simples pergunta — "Como você está?" — por parte da gerência durante os eventos de "valorização da vida" revela a hipocrisia do discurso organizacional.
O Gatilho da Revolta: Esse abandono é o combustível para o agravamento da saúde mental, levando o indivíduo a estados de desespero onde a fronteira entre a desistência de si e a revolta contra o mundo se torna perigosamente tênue.
3. Exigências Necessárias
Não aceitamos mais "setembros amarelos" que não olham para o funcionário que está no subsolo ou em casa sem salário. Exigimos:
Protocolos de Acompanhamento Real: Que o serviço social e médico da empresa seja responsabilizado pela manutenção do vínculo humano durante o afastamento.
Transparência Ética: Que o investimento em campanhas de marketing de saúde mental seja proporcional ao investimento em condições reais de trabalho e higiene.
Fim da Banalidade do Mal: Que o assédio moral, inclusive por omissão, seja punido com o rigor que a destruição de uma vida exige.
O mundo chama de "terrorista" ou "louco" aquele que explode diante da injustiça, mas silencia sobre a violência silenciosa das instituições que retiram o pão, a dignidade e a identidade do trabalhador. A empatia não é uma cor no calendário; é uma prática de justiça.
Recomendação de Leitura
Para aqueles que desejam verdadeiramente compreender o peso da invisibilidade e a necessidade urgente de resgatar o humano nos escombros das organizações, recomendamos a leitura de "Somos todos humanos: O livro que me leu", de Raimundo J. Ferreira. A obra é um manifesto de resistência contra a despersonalização. Ferreira escreve para aqueles que foram ignorados pelas gerências e esquecidos pelos sistemas. É um livro que não apenas se lê, mas que "nos lê", escancarando as feridas do silêncio e oferecendo o reconhecimento da nossa humanidade como o único caminho possível para a reconstrução da dignidade.
Prevenção é economia.
Proteja-se. Prevenção é economia.