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sábado, julho 14, 2007

Parece que estou sossegando - Fernando Pessoa

Parece que estou sossegando
'Starei talvez para morrer.
Há um cansaço novo e brando
De tudo quanto quis querer.
Há uma surpresa de me achar
Tão conformado com sentir.
Súbito vejo um rio
Entre arvoredo a luzir.
E são uma presença certa
O rio, as árvores e a luz.

segunda-feira, julho 09, 2007

É

Pois é !...
Então,
Já quis escrever um livro.
Escrevi por dez anos, depois, queimei tudo.
Tive alguns problemas:
Sou desorganizado! E desorganização é um sério problema.
Eu me isolo para pensar. E o auto-isolamento incomoda muita gente.

Algumas pessoas preferem fazer isso por nós.
Eu penso coisas que nunca foram pensadas, coisas simples, e por serem simples não são recomendáveis.

Mas tudo bem, não tinha qualidade mesmo!

Eu sou analfabeto. As agências de trabalho confirmam isso.
Os concursos púbicos também.
As promoções nas empresas também.
Assim não se pode concorrer a nada; ou melhor, se concorre, a nada.

Sabedoria não conta.
Nem boa vontade e dedicação.
Mais vale influência, aos influenciados,
Um dólar, um contato, um cruzado ou cruzeiro, um tato... Ou um milhão.

Mais vale um riso, um falso riso, do que a expressão.
_ Preciso organizar meu riso. _


Pensei fazer um diário; mas um diário?...
Um diário seria monótono e triste.
Além do mais, é um perigo.
O perigo de se ter um diário é a intimidade.
Corre-se o risco de, com o tempo, descobrirmos quem somos.
Pode ser catastrófico, ou pior; irreversível.

sábado, julho 07, 2007

Sobre mim

Vida e trabalho

Os principais fenômenos da evolução


Há entre os fenômenos do processo evolutivo um vínculo tão forte e significativo, que se torna quase que impossível, ou sem sentido, avaliá-los separadamente. Nessa conexão, vida e trabalho, a qual me refiro, consiste o teor de direcionamento progressivo de toda natureza e sua complexa evolução. No meio de tal conflito se desenvolve o homem, céptico ou crente, como favorecido e cooperador nesse processo de desenvolvimento produtivo.
Precede ao nascimento, o trabalho de parto; prossegue após, a luta pela sobrevivência. Eis o sentido da vida.

Em toda minha longa experiência de vida nada me surpreende mais do que a ansiedade na procura por trabalho. Sem esse elo, na vida, é como houvesse um espaço inutilizado, porém fértil, no meio de um solo produtivo. É uma inquietação que parece nos arrancar, dia a dia, da conexão com a natureza e com essa importante harmonia.

Portanto, como adepto dessa integração, tendo o caráter formado com base nas normas para esse cooperativismo, estou disponível, com meus conhecimentos, e, através do meu trabalho, a qualquer colaboração para o desenvolvimento e valorização da humanidade e do meio ambiente.

sábado, junho 30, 2007

quinta-feira, junho 28, 2007

Fernando Pessoa _ A melhor poesia

Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)

Não Quero as oferendas

Não quero as oferendas
Com que fingis, sinceros,
Dar-me os dons que me dais.
Dais-me o que perderei,
Chorando-o, duas vezes,
Por vosso e meu, perdido.
Antes mo prometais
Sem mo dardes, que a perda
Será mais na esperança
Que na recordação.
Não terei mais desgosto
Que o contínuo da vida,
Vendo que com os dias
Tarda o que espera, e é nada.