quarta-feira, novembro 07, 2007
AIDS: A DOENÇA SEM CURA
Como todo mundo sabe, esta doença, que provavelmente veio dos macacos da África, é transmitida facilmente entre aqueles que, no minino, nem desconfiam que estão contraindo a doença.
A AIDS é coisa séria, uma doença que pode levar até a morte se não tratada a tempo. É claro que existemm os medicamentos contra ela. Pena que eles só amenizam seus sintomas e alongam um pouco a vida dos contaminados.
A partir desse momento, estaremos esclarecendo, senão todas, a maioria das duvidas em relação a esta doença, e esperamos ajudar a todos os interessados nas verdades e mentiras deste mal.
UNIDADE 1
O QUE É AIDS
· O que é AIDS
O nome AIDS é uma sigla americana referente a Acquired Imune – Deficiency Syndrome, que em português significa: Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida.
· Qual a causa da AIDS
A AIDS é uma doença provocada pelo vírus HIV que ataca e enfraquece o Sistema Imunológico, podendo levar a sua destruição.
· O vírus HIV
O vírus HIV é uma partícula extremamente pequena (1/1000 mm) constituída de proteínas, lipídios (gorduras) e por RNA (ácido ribonucléico, seu material genético).
· Como surgiu o vírus da AIDS?
Até hoje ainda não sabemos como se originou esse vírus. Existem várias teorias, mas ainda não há provas convenientes. Sabe-se, no entanto, que os primeiros vestígios de seu surgimento estão na África.
De lá, através da imigração, teriam levado a doença até o Haiti, de onde seus moradores o transmitiram aos EUA e de lá para todo o mundo.
Os primeiros diagnósticos da doença nos EUA foram feitos em 1979, e no Brasil em 1982.
· Qual a importância do Sistema Imunológico?
No meio em que vivemos, estamos constantemente em contato com um grande número de microorganismos (vírus, bactérias, fungos etc), que são agentes infecciosos. Eles são responsáveis por várias doenças e, se eles se multiplicarem de maneira descontrolada em nosso organismo, podem nos levar a morte. No entanto, em um individuo normal, a grande maioria das infecções tem uma duração limitada não causando grandes danos ao organismo. Isto ocorre porque temos em nosso corpo, um verdadeiro exército de prontidão, cuja função é destruir os agentes infecciosos. Este exército é constituído por células especiais chamadas linfócitos, que são os glóbulos brancos do sangue. A este sistema de defesa damos o nome de Sistema Imunológico.
· Como o sistema imunológico desempenha sua função?
Existem dois grandes grupos de linfócitos: os linfócitos T e os linfócitos B, que atuam de maneira diferente.
Um tipo de linfócito T, o linfócito T4, age como general do exército das operações de defesa.
Quando um microorganismo invade nosso corpo, ele é reconhecido pelos linfócitos T4 que recrutam outros linfócitos T e B para elimina-lo.
· Como o vírus da AIDS ataca o sistema imunológico?
O HIV ataca especificamente o linfócito T4, tornando-se os novos generais do sistema imunológico. Assim como todos os tipos de vírus, o HIV não consegue sobreviver fora de uma célula. Por isso o HIV junta o útil ao agradável. É como se ele pensasse: "já que tenho que arranjar uma casa vou invadir a casa do prefeito". É por isso que ele ataca justamente os linfócitos T4 para ter o comando do sistema de defesa do corpo humano.
Ao penetrar no T4, o HIV tem duas alternativas a seguir:
O vírus permanece dormente ou em estado de latência no interior do linfócito. A infecção existe, porém as pessoas não apresentam sintomas.
O vírus, por mecanismos não totalmente alucinados, entra em atividade multiplicando-se dentro do linfócito, produzindo novos vírus que acabam destruindo a célula. Após isso eles vão para a corrente sanguínea e invadem novos linfócitos T4. Após a destruição de todos eles é que aparecem os primeiros sintomas da doença.
As pessoas com AIDS ficam vulneráveis a doenças que não seriam ameaças para alguém com um Sistema Imunológico em perfeito estado de conservação.
· O beijo pode transmitir AIDS?
Enquanto um beijo social não apresenta risco de infecção, o beijo profundo e prolongado que envolve a troca de grande quantidade de saliva e possibilita a exposição de pequenas quantidades de sangue, pode ser visto como uma atividade de risco; porém, nunca foi documentado na literatura científica internacional nenhum caso de contaminação do vírus HIV através de um beijo na boca.
· O sexo oral pode transmitir a AIDS?
Embora nenhum caso tenha sido registrado, acredita-se que esse tipo de transmissão seja possível. Isto porque sempre existe risco de que o vírus do esperma ou de secreção vaginal de pessoas infectadas possa entrar em contato com o sangue, através das mucosas bucais, que com freqüência apresentam lesões.
· Transmissão por transfusão de sangue
A transfusão de sangue infectado transmite o vírus. Este meio de transmissão não deveria constituir um risco de vida hoje em dia, uma vez que existe, há algum tempo, um teste de fácil execução para se detectar a contaminação do sangue. No entanto, aqui no Brasil embora seja obrigatória a realização deste teste, ele ainda não vem sendo satisfatoriamente utilizado em todos os bancos de sangue do país. Assim sendo, transfusões sanguínea só deverão ser feitas em casos de absoluta necessidade.
· Transmissão por instrumentos cortantes e seringas contaminadas
As seringas e agulhas contaminadas podem transmitir a AIDS. Estão particularmente expostos a esse perigo, os viciados em drogas que compartilham a mesma seringa.
Outros instrumentos, tais como agulhas de acumputura e de aplicação de tatuagens teoricamente também podem transmitir AIDS a pessoas que tenham a pele perfurada por esses instrumentos. Portanto as seringas e as agulhas devem ser desinfectados após a sua utilização, o se possível devem ser utilizados agulhas e seringas descartáveis.
O mesmo cuidado, por precaução deve ser tomado com alicates de unha, lâminas de barbear, tesouras etc.
· Transmissão da mãe contaminada para o filho
Este tipo de transmissão ocorre no momento do parto ou através da placenta durante a gravidez. Após o nascimento, também é possível uma contaminação através do leite materno.
Por esses motivos é desaconselhável que pessoas soropositivas tenham filhos.
Homossexuais e bissexuais
Os homens homossexuais e bissexuais representam o grupo mais exposto até o momento no Brasil.
sexta-feira, novembro 02, 2007
Esteróide e Anabolizantes _ Material p/ pesquisa
Esteróide anabolizante
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Os esteróides androgênicos anabólicos (EAA ou AAS - do inglês Anabolic Androgenic Steroids), também conhecidos simplesmente como anabolizantes, são uma classe de hormônios esteróides naturais e sintéticos que promovem o crescimento celular e a sua divisão, resultando no desenvolvimento de diversos tipos de tecidos, especialmente o muscular e ósseo. São substâncias geralmente derivadas do hormônio sexual masculino, a testosterona, e podem ser administradas principalmente por via oral ou injetável. Atualmente não são utilizados somente por atletas profissionais, mas também por pessoas que desejam uma melhor aparência estética, inclusive adolescentes. Os diferentes esteróides androgênicos anabólicos têm combinações variadas de propriedades androgênicas e anabólicas. Anabolismo é o processo metabólico que constrói moléculas maiores a partir de outras menores.
Os esteróides anabólicos foram descobertos nos anos 1930s e têm sido usados desde então para inúmeros procedimentos médicos incluindo a estimulação do crescimento ósseo, apetite, puberdade e crescimento muscular. Podem também ser usados no tratamento de pacientes submetidos a grandes cirurgias ou que tenham sofrido acidentes sérios, situações que em geral acarretam um colapso de proteínas no corpo. O uso mais comum de esteróides anabólicos é para condições crônicas debilitantes, como o câncer e a AIDS. Os esteróides anabólicos podem produzir inúmeros efeitos fisiológicos incluindo efeitos de virilização, maior síntese protéica, massa muscular, força, apetite e crescimento ósseo. Os esteróides anabolizantes também têm sido associados a diversos efeitos colaterais quando forem administrados em doses excessivas, e esses efeitos incluem a elevação do colesterol (aumenta os níveis de LDL e diminui os de HDL), acne, pressão sanguínea elevada, hepatotoxicidade, e alterações na morfologia do ventrículo esquerdo do coração.
Hoje os esteróides anabólicos são controversos por serem muito difundidos em diversos esportes e possuírem efeitos colaterais. Enquanto há diversos problemas de saúde associados com o uso excessivo de esteróides anabólicos, também há uma volumosa quantidade de propaganda, "ciência-lixo" e concepções errôneas da população sobre seu uso. Os esteróides anabólicos são controlados em alguns países incluindo os Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Estes países possuem leis que controlam seu uso e distribuição.
Mecanismo bioquímico
Os efeitos fisiológicos dos andrógenos como a testosterona e a dihidrotestosterona são vastos e vão desde o desenvolvimento fetal para a manutenção de músculos e massa óssea até a vida adulta incluindo o estimulo de estirões de crescimento na puberdade, indução de crescimento de cabelo, produção de óleo pelas glândulas sebáceas e sexualidade (especialmente no desenvolvimento fetal).
Os esteróides anabolizantes são androgênicos e consequentemente produzem efeitos androgênicos no corpo. Os andrógenos estimulam a miogênese, que é a formação de tecido muscular. Também são conhecidos por causar hipertrofia dos dois tipos (I e II) de fibras musculares, embora o mecanismo de como isso acontece ainda não seja totalmente compreendido e existem poucos mecanismos aceitos através dos quais isso pode ocorrer. É amplamente entendido que doses suprafisiológicas de testosterona em homens não-hipogonadais aumenta a densidade do nitrogênio e aumenta a massa magra (muscular) ao mesmo tempo que diminui a gordura, particularmente a abdominal. O aumento na massa muscular é predominantemente da musculatura esquelética e é causado por um aumento na síntese de proteínas musculares ou possivelmente uma diminuição na quebra de proteínas musculares. Existem hipóteses de que andrógenos regulam a composição do corpo ao promover o compromisso de células mesenquimais pluripotentes em linhagens miogênicas e inibindo sua diferenciação em linhagens adipogênicas. Entretanto os andrógenos podem também cumprir um papel anticatabólico ao inibir a atrofia dos músculos esqueléticos através da ação antiglicocorticóide independente do receptor de andrógeno.
Os mecanismos de ação diferem dependendo do esteróide anabólico específico. Diferentes tipos de esteróides anabólicos se ligam ao receptor de andrógeno em diferentes graus, dependendo de sua fórmula química. Esteróides anabólicos como a metandrostenolona não reagem fortemente com o receptor de andrógeno, usando a síntese protéica ou glicogenólise para sua ação, enquanto esteróides como a oxandrolona reagem fortemente com o receptor de andrógeno.
Administração
Aviso Médico
Existem três vias comuns para a administração dos esteróides anabólicos: oral (pílulas), injetável e transdérmico. A administração oral, apesar de ser talvez a mais conveniente, sofre do fato de que os esteróides orais necessitam ser quimicamente modificados, e seu metabolismo na forma ativa pode forçar o fígado. Os esteróides injetáveis são tipicamente administrados intramuscularmente, para evitar variações bruscas no nível sanguíneo. Finalmente, as administrações transdérmicas via creme, gel ou atadura transdérmica têm se tornado populares nos anos recentes.
Efeitos anabólicos e de virilização
Os esteróides androgênicos anabólicos produzem tanto efeitos anabólicos e de virilização (também conhecidos como efeitos androgênicos). A maioria dos esteróides anabólicos funciona de duas maneiras simultâneas. Primeiro, eles funcionam ao se ligar ao receptor andrógeno e aumentando a síntese protéica. Segundo, eles também reduzem o tempo de recuperação ao bloquear os efeitos no tecido muscular do hormônio do stress, o cortisol. Como resultado, o catabolismo da massa muscular corpórea é significativamente reduzido.
Exemplos dos efeitos anabólicos:
* Aumento da síntese protéica a partir de aminoácidos.
* Aumento da massa e força muscular
* Aumento do apetite
* Aumento da remodelagem e crescimento ósseos
* Estimulação da medula óssea, aumentando a produção de células vermelhas do sangue.
Exemplos dos efeitos de virilização/andrógenos:
* Crescimento do clitóris (hipertrofia clitoriana) em mulheres e do pênis em meninos (o pênis adulto não cresce indefinidamente mesmo quando exposto a altas doses de andrógenos)
* Aumento dos pêlos sensíveis aos andrógenos (pêlos púbicos, da barba, do peito, e dos membros)
* Aumento do tamanho das cordas vocais, tornando a voz mais grave
* Aumento da libido
* Supressão dos hormônios sexuais endógenos
* Espermatogênese prejudicada Efeitos colaterais possivelmente não desejados
Muitos andrógenos são capazes de serem metabolizados em compostos que podem interagir com outros receptores de hormônios esteróides como os receptores de estrógeno, progesterona e glicocorticóides, produzindo (geralmente) efeitos adicionais não desejados:
* Possível pressão sanguínea elevada
* Níveis de colesterol –Alguns esteróides podem causar um aumento nos níveis de LDL e diminuição nos de HDL. Isso pode aumentar o risco de ocorrer uma doença cardiovascular ou doença da artéria coronária em homens com alto risto de colesterol ruim.
* Acne– Devido à estimulação das glândulas sebáceas
* Conversão para DH (Dihidrotestosterona). Isso pode acelerar ou causar calvície precoce e câncer de próstata.
* Alteração da morfologia do ventrículo esquerdo – os AAS podem induzir a um alargamento e engrossamento desfavorável do ventrículo esquerdo, que perde suas propriedades de diástole quando sua massa cresce. Entretanto a relação negativa entre a morfologia do ventrículo esquerdo e o déficit das funções cardíacas têm sido discutida.
* Hepatotoxicidade – Causado particularmente por componentes de esteróides anabólicos orais que são 17-alfa-alquilados para que não sejam destruídos pelo sistema digestivo.
* Crescimento excessivo da gengiva
Efeitos colaterais em homens
Ginecomastia – Desenvolvimento das mamas nos homens. Geralmente isso ocorre devido a altos níveis de estrogênio circulante. Esses níveis também são resultado da taxa aumentada de conversão de testoterona em estrogênio via enzima aromatase.
Função sexual reduzida e infertilidade temporária
Atrofia testicular – Efeito colateral temporário que é devido ao déficit nos níveis de testosterona natural que leva à inibição da espermatogênese. Como a maioria da massa do testículo tem com função o desenvolvimento do espermatozóide, o tamanho dos testículos geralmente retorna ao tamanho natural quando a espermatogênese recomeça, algumas semanas após o uso do esteróide anabólico ser cessado.
Efeitos colaterais em mulheres
* Pêlos do corpo crescem
* Voz fica mais grave
* Aumento do tamanho do clitóris (hipertrofia clitoriana)
* Diminuição temporária nos ciclos menstruais
Efeitos colaterais em adolescentes
* Crescimento comprometido – O abuso de agentes pode prematuramente parar o crescimento do comprimento dos ossos (fusão prematura da epífise devido aos altos índices de metabólitos do estrogênio)
* Maturação óssea acelerada
* Aumento na freqüência e duração das ereções
* Desenvolvimento sexual precoce e desenvolvimento extremo das características sexuais secundárias (hipervirilização)
* Crescimento do falo (hipergonadismo ou megalofalia)
* Aumento dos pêlos púbicos e do corpo
* Ligeiro crescimento de barba
Há muito tempo tem sido buscado um esteróide anabólico ideal (um hormônio somente com efeitos anabólicos, sem efeitos virilizantes). Muitos esteróides anabólicos sintéticos têm sido desenvolvidos na tentativa de encontrar moléculas que produzam uma alta taxa anabólica ao invés de efeitos virilizantes. Infelizmente, os esteróides mais efetivos conhecidos para aumento de massa corporal também têm os efeitos androgênicos mais fortes.
Uso médico
Os esteróides anabólicos foram testados por médicos para muitas finalidades desde a descoberta da testosterona sintética dos 1930s aos 1950s, algumas com sucesso. Um dos usos iniciais de esteróides foi para o tratamento de cansaço crônico, como o dos prisioneiros nos campos de concentração nazistas e prisioneiros de guerra. Durante a Segunda Guerra Mundial, pesquisas foram realizadas pelos cientistas alemães para a síntese de outros esteróides anabólicos, e foram feitos experimentos em prisioneiros humanos e nos próprios soldados alemães, esperando aumentar as tendências de agressividade de suas tropas. O médico de Adolf Hitler revelou que Hitler recebeu injeções de derivados de testosterona para tentar tratar várias de suas doenças.
Depotestosterona, uma forma sintética de testosterona produzida para fins médicos
Estimulação da medula óssea: Durante décadas, os esteróides anabólicos foram importantes para a terapia de anemias hipoplásicas não causadas por deficiência nutritivas, especialmente a anemia aplásica. Os esteróides anabólicos vêm sendo lentamente substituídos por hormônios sintéticos (como a epoetina alfa) que estimulam seletivamente o crescimento de precursores das células do sangue.
Estimulação do crescimento: Os esteróides anabólicos foram receitados em larga escala por endocrinologistas pediátricos para crianças com deficiência no crescimento dos anos 1960s até os 1980s. A disponibilidade de hormônio do crescimento sintético e a estigmatização social crescente sobre o uso de esteróides anabólicos levou à descontinuação deste uso.
Estimulação do apetite e preservação e aumento de massa muscular: Esteróides anabólicos tem sido dados para pessoas com condições crônicas desgastantes como câncer e AIDS.
Indução da puberdade masculina: Andrógenos são receitados para muitos garotos com atraso da puberdade. Atualmente a testosterona é praticamente o único andrógeno usado para esse fim, mas esteróides anabólicos sintéticos foram usados anteriormente nos anos 1980s.
O enantato de testosterona pode mostrar-se um método útil, seguro, reversível e efetivo para contracepção hormonal masculina num futuro próximo.
Usado para problemas relacionados com a idade em idosos. Os esteróides anabólicos têm se mostrado como auxiliares em muitos problemas da velhice.
Usado em terapia de reposição hormonal para homens com baixos níveis de testosterona. (veja hipogonadismo)
Usado para dismorfia de gênero: ao passo que as características secundárias masculinas (puberdade) se iniciam em pacientes diagnosticados como feminino-para-masculino. Os derivados mais utilizados da testosterona são o Sustanon e o Enantato de Testosterona que tornam a voz mais grave, aumentam as massas muscular e óssea, os pêlos faciais, os níveis de células vermelhas do sangue e o clitóris.
Uso e abuso
Os esteróides anabólicos têm sido usados por homens e mulheres em muitos tipos diferentes de esportes (cricket, atletismo, levantamento de peso, fisiculturismo, arremesso de peso, ciclismo, beisebol, luta, artes marciais, boxe, futebol, etc.) para atingir um nível competitivo ou para ajudar na recuperação de lesões. O uso de esteróides para se obter vantagens competitivas é proibido pelas leis dos corpos governamentais de vários esportes.
Os esteróides anabólicos têm sido prevalentes também entre os adolescentes, especialmente aqueles que praticam esportes. Foi sugerido que a prevalência de uso entre os estudantes das High School americanas pode chegar a 2,7%. Os estudantes homens usaram mais do que as mulheres e aqueles que participavam de esportes, em média, usaram com mais freqüência do que aqueles que não praticavam.
É extremamente difícil determinar a percentagem da população que tem utilizado recentemente esteróides anabólicos, mas esse número parece ser muito baixo. Os usuários de esteróides tendem a ser homens entre 15 e 25 anos e fisiculturistas não-competitivos e não-atletas que usam por razões cosméticas.
Minimização dos efeitos colaterais
Tipicamente os fisiculturistas, atletas e esportistas que usam anabolizantes tentam minimizar seus efeitos colaterais negativos. Por exemplos, alguns aumentam a quantidade de exercícios cardiovasculares para ajudar a evitar os efeitos da hipertrofia do ventrículo esquerdo.
Alguns andrógenos vão se aromatizar e se converter em estrógeno, potencialmente causando alguma combinação dos efeitos colaterais citados acima. Durante o ciclo do esteróide, os usuários tendem a tomar um inibidor da enzima aromatase e/ou um Modulador Seletivo do Receptor de Estrógeno (MSRE); estas drogas afetam a aromatização e a ligação ao receptor de estrogênio, respectivamente. O MSRE tamoxifeno é de particular interesse, já que ele previne a ligação ao receptor de estrogênio no peito, reduzindo o risco de ocorrer a ginecomastia.
Além disso, a 'terapia pós-ciclo' (TPC) é prescrita, a fim de combater a supressão natural da testosterona e recuperar a função do HPTA (eixo hipotalâmico-pituitário-gonadal). A TPC tipicamente consiste em uma combinação das seguintes drogas, dependendo do protocolo que é utilizado:
* Um Modulador Seletivo do Receptor de Estrógeno (MSRE), como o citrato de clomifeno e/ou citrato de tamoxifeno (esta é a droga primária da TPC).
* Um inibidor da enzima aromatase conhecido como anastrozole.
* Gonadotrofina coriônica humana, hCG (tem se tornado menos comum, já que hoje este hormônio é mais utilizado durante o ciclo, ao invés de depois).
O objetivo do TPC é devolver o balanço hormonal endógeno original ao corpo no menor espaço de tempo possível.
Os usuários geneticamente propensos à perda prematura de cabelo, que o uso de esteróides pode torná-la mais acentuada, têm utilizado a droga finasterida por períodos prolongados de tempo. A finasterida reduz a conversão de testosterona em DHT, esta última tendo um potencial muito maior de causa alopécia (ausência de pêlos). A finasterida não tem utilidade nos casos em que o esteróide não é convertido em um derivado mais androgênico.
Como alguns anabolizantes podem ser tóxicos para o fígado ou podem causar aumentos na pressão sanguínea ou colesterol, muitos usuários consideram ideal fazer freqüentes testes sanguíneos e de pressão sanguínea para ter certeza de que seus níveis de pressão e colesterol ainda estão nos níveis normais. Como os anabolizantes podem aumentar o colesterol, eles podem, conseqüentemente, aumentar o risco de um ataque cardíaco em seus usuários. Logo, geralmente é considerada obrigatória para todos os usuários a realização testes sanguíneos enquanto estiverem utilizando os anabolizantes.
Lendas urbanas e concepções errôneas
Os esteróides anabólicos, como qualquer outra droga, têm estado no centro de muita controvérsia e por causa disso existem muitos mitos populares sobre os seus efeitos obtidos e colaterais. Como muitas drogas da cultura popular, as concepções errôneas sobre os esteróides anabólicos provavelmente surgiram da falta de conhecimento sobre os reais efeitos colaterais destas drogas. Por exemplo, uma dessas lendas diz que os esteróides anabólicos podem fazer com que o pênis diminua de tamanho. É muito provável que essa falsa afirmação tenha surgido do efeito colateral que realmente ocorre conhecido como atrofia testicular, no qual o uso de esteróides anabolizantes causa a redução da secreção do hormônio luteinizante e hormônio estimulante folicular da porção anterior da hipófise, logo reduzindo o tamanho do testículo. Esse efeito colateral é temporário e os testículos voltam ao tamanho normal logo que a administração exógena do andrógeno for suspensa. Outra idéia muito difundida na população e que a mídia ajuda a difundir é a de que os esteróides anabolizantes são altamente perigosos e as taxas de mortalidade entre usuários são altas. A verdade é que os esteróides anabólicos são usados amplamente na área médica sem nenhum sérios risco para a saúde dos usuários, e nenhuma evidência científica mostrou problemas de saúde a longo prazo com o uso correto de esteróides anabolizantes. Enquanto o risco de morte está presente em muitas drogas, o risco de morte prematura devido ao uso de esteróides anabolizantes é extremamente baixo. É possível que esse mito tenha ganho popularidade nos Estados Unidos a partir da afirmação de que o jogador de futebol americano Lyle Alzado morreu de câncer no cérebro por ter usado esteróides anabolizantes. O próprio jogador chegou a afirmar que seu câncer tinha sido causado graças aos esteróides anabolizantes. Entretanto, não há evidência médica provando que os esteróides anabolizantes podem causar câncer no cérebro e os próprio médicos que trataram Alzado afirmaram que o uso de esteróides anabolizantes nada teve a ver com sua morte.
Outros mitos afirmam que o uso de anabolizantes pode levar adolescentes a cometer suicídio. Já que se sabe os baixos níveis de testosterona são causadores da depressão, e que um final de ciclo de anabolizantes resulta em baixos níveis de testosterona, essa afirmativa é altamente questionável. Nos Estados Unidos o uso estimado de esteróides anabolizantes entre estudantes de High School foi de 2,8% em 1999. Por outro lado, no ano de 2000 nos Estados Unidos, o suicídio foi a terceira causa que mais levou à morte entre jovens entre 15 e 24 anos. Com a existências destas altas taxas de suicídio entre os adolescentes, concluir que os esteróides anabolizantes são responsáveis pelo suicídio que os tomaram antes de cometerem suicídio é uma afirmação um tanto precipitada. Além disso, embora os fisiculturistas adolescentes têm usado anabolizantes desde o início dos anos 1960s, apenas alguns casos sugerindo a ligação entre o uso e o suicídio foram descritos na literatura médica.
Uma das idéias errôneas sobre o uso de anabolizantes é sobre o efeito sobre o temperamento agressivo que surgiria nos usuários. Existem poucas ou nenhuma evidência para provar que essa condição realmente existe. A maioria dos estudos envolvendo comportamentos agressivos e o uso de anabolizantes não mostram efeitos psicológicos como conseqüência, implicando que esse comportamento agressivo não é um efeito dos esteróides, ou que os efeitos na agressividade são muitos pequenos para serem mensurados. Muitos cientistas e médicos concluíram que os esteróides anabolizantes não têm efeitos de aumento de comportamento agressivo.
O ator, ex-fisiculturista e governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, também é alvo de outra lenda sobre os efeitos dos anabolizantes. Arnold Schwarzenegger admitiu que usou esteróides anabolizantes durante sua carreira de fisiculturista por muitos anos, e em 1997 fez uma cirurgia para corrigir um defeito relacionado ao seu coração. Algumas pessoas afirmaram que esse defeito foi causado pelo uso dos anabolizantes. Entretanto, Arnold Schwarzenegger nasceu com um problema genético congênito no qual seu coração tinha uma valva aortica bicúspide; em outras palavras, enquanto nos corações normais a valva aórtica tem três cúspides, a valva aórtica do ator tinha, de nascença, apenas duas, o que poderia causar problemas futuros em sua vida.
Tráfico ilegal de esteróides anabolizantes
Como os anabolizantes são geralmente consumidos em países diferentes dos quais eles são produzidos, eles devem ser contrabandeados através das fronteiras internacionais. Como a maioria das operações de tráfico, uma operação sofisticada do crime organizado está envolvida, freqüentemente em conjunto com outros tipos de contrabando (incluindo outras drogas ilegais). Ao contrário dos traficantes de drogas recreacionais psicoativas como maconha e heroínas, não há muitos casos retratados de traficantes de anabolizantes sendo presos. A maioria destes consegue obter a droga através do mercado negro, e mais especificamente, farmacêuticos, veterinários, e médicos. Os anabolizantes comprados do mercado negro podem ser falsificados ou originalmente produzidos para uso veterinário. O que por si só não vem a ser perigoso, exceto pelo fato de que esses medicamentos são produzidos e manuseados em ambientes menos estéreis, já que o seu destino seria os animais.
Produção
Os anabolizantes precisam de processos farmacêuticos sofisticados e equipamentos avançados para serem produzidos. Por esse motivo, são fabricados por companhias farmacêuticas legítimas ou laboratórios "underground" (ilegais) com uma grande infra-estrutura. Os mesmos problemas comuns que estão presentes no tráfico ilegal de drogas (como as substituições químicas, cortes e diluição) também afetam os esteróides anabolizantes, e esses processos podem tornar sua qualidade questionável ou perigosa para o consumidor final.
Nos anos 1990s a maioria das fabricantes americanas como Ciba, Searle e Syntex pararam de produzir e de divulgar os esteróides anabólicos dentro dos Estados Unidos. Entretanto, em muitas outras regiões, particularmente a Europa Oriental, eles ainda são produzidos em grande quantidade. Os anabolizantes europeus são a origem de muitos dos esteróides vendidos ilegalmente na América do Norte. No entanto, os esteróides anabólicos ainda estão sendo amplamente utilizados para fins veterinários, e muitos dos anabolizantes ilegais são fabricados, de fato, para fins veterinários.
Distribuição
Nos Estados Unidos e Canadá, os anabolizantes são comprados assim como qualquer outra droga ilegal através de "traficantes" que conseguem obter as drogas de diversas fontes, embora a maioria dos usuários preferiria comprar legalmente as drogas mas não podem pois as leis restritivas são contra a posse de esteróides. Anabolizantes falsificados são uma solução comum para a falta de disponibilidade legal nos Estados Unidos e Canadá, embora o mercado negro de importação continua no México, Tailândia e outros países onde os esteróides são mais facilmente disponíveis e, em muitos países, legalizado. Muitas pessoas produzem anabolizantes falsos e os colocam à venda na internet, o que causa uma ampla variedade de problemas de saúde.
A maioria dos esteróides anabólicos são vendidos hoje em academias, competições e através dos correios. A maior parte destas substâncias nos Estados Unidos é contrabando. Além disso, um grande número de produtos falsificados são vendidos como esteróides anabolizantes, particularmente por websites de farmácias de fachada. Além do uso recreativo dos anabolizantes, os usuários do Reino Unido têm consumido drogas ilícitas também, como a maconha e cocaína.
Comentários de atletas profissionais da Grécia antiga sugerem que foi utilizada uma ampla variedade de substâncias esteróides naturais com o objetivo de promover crescimento androgênico e anabólico. Estes foram de extratos dos testículos até materiais de plantas. Remédios tradicionais em geral, tanto no Ocidente como na medicina Asiática contemporânea, contém várias substâncias que devem promover a virilidade e vários aspectos masculinos, mesmo que não totalmente com relação ao aumento dos músculos e da habilidade atlética tanto quanto performance sexual. Na medicina Chinesa tradicional, substâncias como chifre de alce, osso de tigre, bexiga e bílis de urso, ginseng e outras raízes e muito mais eram primariamente consumidos para ressaltar o organismo masculino. A ciência não recomenda estes métodos.
Acredita-se que os esteróides anabolizantes farmacêuticos modernos tenham sido descobertos inadvertidamente por cientistas alemães no começo da Década de 30, mas quando foi descoberto ele não foi considerado significante o bastante para promover estudos posteriores. A primeira referência conhecida a esteróides anabolizantes nos EUA foi em uma carta ao editor da revista Strenght and Health em 1938. Na década de 50, o interesse científico por eles foi aumentado, e Metandrostenolona (Dianabol) foi aprovada para uso nos Estados Unidos pela Administração de comida e drogas americana em 1958 após vários testes com bons resultados foram conduzidos em outros países.
Ao longo dos anos 50, 60, 70 e até 80 havia a dúvida se os Esteróides Anabolizantes realmente tinham um efeito. Em um estudo no ano de 1972, uma parte dos participantes foi informada que eles receberiam injeções de esteróides anabólicos diariamente, mas ao invés disso lhes foi administrado placebo. A melhora de performance deles foi similar à dos participantes que tomaram compostos anabólicos de verdade. Este estudo teve muitas falhas incluindo controles inconsistentes e doses insignificantes. De acordo com Geraline Lin, um pesquisador do Instituto Nacional do Abuso de Drogas americano, até a época de publicação de livros em 1996, os resultados deste estudo ainda não haviam sido contestados e postos a teste, durante 18 anos.
No estudo de 1996 mencionado anteriormente que foi fundado pelo NIH americano ele examinou o efeito de altas doses de testosterona enanthate (600 mg/semana intramuscular por 10 semanas). Os resultados mostraram um claro aumento na massa muscular e diminuição da gordura corporal naqueles que tomaram testosterona ao invés de placebo. Nenhuma reação adversa foi percebida.
The U.S. Congress in the Anabolic Steroid Control Act of 1990 placed anabolic steroids into Schedule III of the Controlled Substances Act (CSA). The CSA define os esteróides anabolizantes como qualquer droga ou substância hormonal quimicamente e farmacologicamente relacionada à testosterona (other than estrógenos, progestins, and corticosteroids) que promove o crescimento muscular.
No início dos anos 1990s, após a scheduled dos esteróides anabolizantes nos Estados Unidos, diversas companhias farmacêuticas pararam de produzir ou comercializar os produtos nos Estados Unidos, incluindo a Ciba, Searle, Syntex e outras.
In addition, an entire market for counterfeit drugs emerged at this time. Nunca visto Never seen in the previous 30 years of their availability on the U.S. market, os computadores e a tecnologia dos scanners tornou made the ease of counterfeiting legitimate products by utilizing their original label design, and the market was flooded with products that contained everything from mere vegetable oil to toxic substances which unsuspecting users injected into themselves, of which some died as a result of blood poisoning, methanol poisoning or subcutaneous abscess.
Em 20 de Janeiro de 2005, the Anabolic Steroid Control Act of 2004 took effect, amending the Controlled Substance Act to place both anabolic steroids and prohormones em uma lista de substâncias controladas, making possession of the banned substances without a prescription a federal crime.
Movimento para a descriminalização
Os esteróides anabolizantes são substâncias controladas nos Estados Unidos e são estritamente reguladas em outros países - Talvez seja importante salientar que os esteróides anabolizantes estão prontamente disponíveis sem prescrição médica em alguns países como México, Alemanha e Tailândia. Entretanto, desde que o congresso dos Estados Unidos aplicou em 1990 o Ato de Controle dos Esteróides Anabolizantes, surgiu um pequeno movimento muito crítico contrário às leis sobre os esteróides anabolizantes. Em 21 de Junho de 2005, o programa americano de televisão Real Sports apresentou um quadro discutindo a legalidade e proibição dos esteróides anabólicos nos Estados Unidos. Foi então apresentado Gary I. Wadler, M.D., presidente da Agência Anti-Doping dos Estados Unidos, que é um forte ativista anti-esteróides. Quando foi pressionado a apresentar as evidências científicas de que os anabolizantes são "altamente fatais", como ele mesmo afirmou, Wadler admitiu que não havia evidências. O apresentador do programa, Bryant Gumbel, concluiu que a grande preocupação com os perigos dos anabolizantes na mídia foi 'muita fumaça e nenhum fogo'. O programa mostrou também John Romano, um ativista pró-esteróides que edita o 'Fator Romano', uma coluna de movimento pró-esteróides na revista americana de fisiculturismo Muscular Development.
Em Julho de 2005, o procurador Philip Sweitzer enviou um documento público para o governo e senado americanos. Nele ele criticou os deputados por restringirem o uso de anabolizantes, assim como criticou a "desconsideração à realidade científica por um efeito simbólico". Ele também pediu a consideração da descriminalização dos esteróides anabólicos nos Estados Unidos e pediu uma nova direção política. Desde os anos 1980s, a posição do governo americano é a de que o risco do uso de esteróides é muito alto para permitir a sua descriminalização e regulamentação.
Lista de componentes anabólicos
Testosterona
Metandrostenolona / Metandienona (Dianabol)
Nandrolona Decanoato (Deca-durabolin)
NandrolonaNandrolona Fenilpropionato (Durabolin)
BoldenonaUndecilenato de Boldenona (Equipoise)
Estanozolol (Winstrol)
Oximetolona (Anadrol-50) (Hemogenin)
Oxandrolona (Anavar)
Fluoximesterona (Halotestin)
Trembolona (Fina)
Enantato de Metenolona (Primobolan)
4-Clorodehidrometiltestosterona (Turinabol)
Mesterolona (Proviron)
Mibolerona (Cheque Drops)
Nota: Muitos desses produtos não estão mais disponíveis de seus fabricantes originais e agora são fabricados em laboratórios ilegais nos Estados Unidos, México e Canadá, mas ainda estão amplamente disponíveis em certos países, na maioria dos casos de subsidiárias dos fabricantes originais (e.g. Schering, Organon).
sexta-feira, outubro 26, 2007
Homem deve lutar por seu destino _ Paulo Coelho
Sempre quando ouço algo a esse respeito me lembro de um texto de um colunista da Folha.
Quando ele o escreveu eu não me lembro, a razão de tê-lo escrito, muito menos.
Também não consigo descobrir o motivo de tê-lo retido na memória. Só sei que vive em mim como lembranças que se manifestam em dia de chuva...
“Homem deve lutar por seu destino” se me lembro bem era o título, e se não me falha a memória o colunista era o grande escritor Paulo coelho. Infelizmente, o que tenho, o que hoje encontrei dentro de um velho livro do Arnaldo Jabor, “Eu Sei Que Vou Te Amar”, o qual tive a honra de adquiri-lo autografado na Bienal do livro em São Paulo, é apenas o pequeno recorte do conto sem detalhes do autor e sem registro do tempo. Mas o que importa na vida é a história em si.
Vou repassar a história especialmente pra você que gosta de refletir histórias e delas tirar proveito para a própria vida; pois os ensinamentos estão em tudo, nos pequenos e grandes fatos da história do dia a dia; é-la:
“Malba Tahan conta a história de um homem que encontrou um anjo no deserto e lhe deu água. “Sou o anjo da morte e vinha buscá-lo”. Disse o anjo. “Mas, como você foi bom, vou lhe emprestar o ‘Livro do Destino’ por cinco minutos; você pode mudar seu fim”.
O anjo lhe entregou o livro. Ao folhear suas páginas, o homem foi lendo a vida dos seus vizinhos. Ficou descontente com o destino deles: “Estas pessoas não merecem coisas tão boas”, pensou. De caneta em punho, começou a alterar o que estava escrito nas páginas, piorando a vida de cada um.
Finalmente, chegou na página de sua vida. Viu seu final trágico, mas, quando preparava-se para mudá-lo, o livro sumiu. Os cinco minutos já tinha passado.
E o anjo, ali mesmo, levou a alma do homem.”
Aconteceu algo parecido comigo; por isso quis contar essa história.
Mas o que aconteceu comigo ainda não esta escrito, exceto no livro da vida.
O que aconteceu comigo?
Tem certeza que quer saber a minha história?
terça-feira, outubro 23, 2007
TESES SOBRE FEUERBACH _ Karl Max
que só concebe o objeto, a realidade, o ato sensorial, sob a forma do objeto ou da
percepção, mas não como atividade sensorial humana, como prática, não de modo
subjetivo. Daí decorre que o lado ativo fosse desenvolvido pelo idealismo, em oposição
ao materialismo, mas apenas de modo abstrato, já que o idealismo, naturalmente, não
conhece a atividade real, sensorial, como tal. Feuerbach quer objetos sensíveis, realmente
diferentes dos objetos de pensamento; mas tampouco concebe a atividade humana como
uma atividade objetiva. Por isso, em A Essência do Cristianismo, só considera como
autenticamente humana a atividade teórica, enquanto a prática somente é concebida e
fixada em sua manifestação judia grosseira. Portanto, não compreende a importância da
atuação "revolucionária", prático-crítica.
II-O problema de se ao pensamento humano corresponde uma verdade objetiva não é um
problema da teoria, e sim um pro blema prático. É na prática que o homem tem que
demonstrar a verdade, isto é, a realidade, e a força, o caráter terreno de seu pensamento.
O debate sobre a realidade ou a irrealidade de um pensamento isolado da prática é um
problema puramente escolástico.
III-A teoria materialista de que os homens são produto das circunstâncias e da educação e de
que, portanto, homens modificados são produto de circunstâncias diferentes e de
educação modificada esquece que as circunstâncias são modificadas precisamente pelos
homens e que o próprio educador precisa ser educado. Leva, pois, forçosamente, à
divisão da sociedade em duas partes, uma das quais se sobrepõe à sociedade (como, por
exemplo, em Robert Owen). A coincidência da modificação das circunstâncias e da
atividade humana só pode ser apreendida e racionalmente compreendida como prática
transformadora.
IV-Feuerbach parte do fato da auto-alienação religiosa, do desdobramento do mundo em um
mundo religioso, imaginário, e outro real. Sua tarefa consiste em decompor o mundo
religioso em sua base terrena. Não vê que, uma vez realizado esse trabalho, o principal
continua por fazer. Na realidade, o fato de que a base terrena se separe de si mesma e fixe
nas nuvens um reino independente só pode ser explicado através da dilaceração interna e
da contradição desse fundamento terreno consigo mesmo. Este último deve, portanto,
primeiro ser compreendido em sua contradição e em seguida revolucionado praticamente
mediante a eliminação da contradição. Por conseguinte, depois de descobrir, por exemplo
na família terrena o segredo da sagrada família, é preciso criticar teoricamente aquela e
transformá-la praticamente.
V-Não satisfeito com o pensamento abstrato, Feuerbach recorre à percepção sensível. Não
concebe, porém, a sensibilidade como uma atividade prática, humano-sensível.
VI-Feuerbach dilui a essência religiosa na essência humana. Mas a essência humana não é
algo abstrato, interior a cada indivíduo isolado. É, em sua realidade, o conjunto das
relações sociais.
Feuerbach, que não emprende a critica dessa essência real, vê-se, portanto, obrigado
1- a fazer caso omisso da trajetória histórica, fixar o sentimento religioso em si mesmo e
pressupor um indivíduo humano abstrato, isolado;
2 - nele, a essência humana só pode ser concebida como "espécie", como generalidade
interna, muda, que se limita a unir naturalmente os muitos indivíduos.
VII-Feuerbach não vê, portanto, que o "sentimento religioso" é, também, um produto social e
que o indivíduo abstrato que ele analisa pertence, na realidade, a uma forma determinada
de sociedade.
VIII-A vida social é essencialmente prática. Todos os mistérios que desviam a teoria para o
misticismo encontram sua solução racional na prática humana e na compreensão desta
prática.
IX-O máximo a que chega o materialismo perceptivo, isto é, o materialismo que não concebe
a sensibilidade como uma atividade prática, é a percepção dos diferentes indivíduos
isolados da «sociedade civil".
X-O ponto-de-vista do antigo materialismo é a sociedade "civil"; o do novo materialismo, a
sociedade humana ou a humanidade socializada.
XI-Os filósofos não fizeram mais que interpretar o mundo de forma diferente; trata-se porém
de modificá-lo.
Escrito por Marx durante a primavera do 1845. Redigido e publicado pela primeira vez
em 1888, por Engels como apêndice da edição em folheto à parte de seu Ludwig
Feuerbach. Publica-se de acordo com o texto da edição em folheto à parte, de 1888,
após confronto com o manuscrito de Marx. Traduzido do espanhol.
sábado, outubro 20, 2007
A filosofia entre a religião e a ciência _ Bertrand Russel
produto de dois fatores: um, constituído de fatores religiosos e éticos
herdados; o outro, pela espécie de investigação que podemos denominar
"científica", empregando a palavra em seu sentido mais amplo. Os filósofos,
individualmente, têm diferido amplamente quanto às proporções em que esses
dois fatores entraram em seu sistema, mas é a presença de ambos que, em
certo grau, caracteriza a filosofia.
"Filosofia" é uma palavra que tem sido empregada de várias maneiras,
umas mais amplas, outras mais restritas. Pretendo empregá-la em seu sentido
mais amplo, como procurarei explicar adiante. A filosofia, conforme entendo
a palavra, é algo intermediário entre a teologia e a ciência. Como a teologia,
consiste de especulações sobre assuntos a que o conhecimento exato não
conseguiu até agora chegar, mas, como ciência, apela mais à razão humana do
que à autoridade, seja esta a da tradição ou a da revelação. Todo conhecimento
definido - eu o afirmaria - pertence à ciência; e todo dogma quanto ao que
ultrapassa o conhecimento definido, pertence à teologia. Mas entre a teologia
e a ciência existe uma Terra de Ninguém, exposta aos ataques de ambos os
campos: essa Terra de Ninguém é a filosofia. Quase todas as questões do
máximo interesse para os espíritos especulativos são de tal índole que a
ciência não as pode responder, e as respostas confiantes dos teólogos já não
nos parecem tão convincentes como o eram nos séculos passados. Acha-se o
mundo dividido em espírito e matéria? E, supondo-se que assim seja, que é
espírito e que é matéria? Acha-se o espírito sujeito à matéria, ou é ele dotado
de forças independentes? Possui o universo alguma unidade ou propósito?
Está ele evoluindo rumo a alguma finalidade? Existem realmente leis da
natureza, ou acreditamos nelas devido unicamente ao nosso amor inato pela
ordem? é o homem o que ele parece ser ao astrônomo, isto é, um minúsculo
conjunto de carbono e água a rastejar, impotentemente, sobre um pequeno
planeta sem importância? Ou é ele o que parece ser a Hamlet? Acaso é ele, ao
mesmo tempo, ambas as coisas? Existe uma maneira de viver que seja nobre e
uma outra que seja baixa, ou todas as maneiras de viver são simplesmente
inúteis? Se há um modo de vida nobre, em que consiste ele, e de que maneira
realizá-lo? Deve o bem ser eterno, para merecer o valor que lhe atribuímos, ou
vale a pena procurá-lo, mesmo que o universo se mova, inexoravelmente, para
a morte? Existe a sabedoria, ou aquilo que nos parece tal não passa do último
refinamento da loucura Tais questões não encontram resposta no laboratório.
As teologias têm pretendido dar respostas, todas elas demasiado concludentes,
mas a sua própria segurança faz com que o espírito moderno as encare com
suspeita. 0 estudo de tais questões, mesmo que não se resolva esses
problemas, constitui o empenho da filosofia.
Mas por que, então, - poderíeis perguntar - perder tempo com problemas
tão insolúveis? A isto, poder-se-ia responder como historiador ou como
indivíduo que enfrenta o terror da solidão cósmica. A resposta do historiador,
tanto quanto me é possível dá-la, aparecerá no decurso desta obra. Desde que
o homem se tornou capaz de livre especulação, suas ações, em muitos
aspectos importantes, têm dependido de teorias relativas ao mundo e á vi a
humana, relativas ao bem e ao mal. Isto é tão verdadeiro em nossos dias como
em qualquer época anterior. Para compreender uma época ou uma nação,
devemos compreender sua filosofia e, para que compreendamos sua filosofia,
temos de ser, até certo ponto, filósofos. Há uma relação causal recíproca. As
circunstâncias das vidas humanas contribuem muito para determinar a sua
filosofia, mas, inversamente, sua filosofia muito contribui para determinar tais
circunstâncias. Essa ação mútua, através dos séculos, será o tema das páginas
seguintes.
Há, todavia, uma resposta mais pessoal. A ciência diz-nos o que podemos
saber, mas o que podemos saber é muito pouco e, se esquecemos quanto nos é
impossível saber, tornamo-nos insensíveis a muitas coisas sumamente
importantes. A teologia, por outro lado, nos induz â crença dogmática de que
temos conhecimento de coisas que, na realidade, ignoramos e, por isso, gera
uma espécie de insolência impertinente com respeito ao universo. A incerteza,
na presença de grandes esperanças e receios, é dolorosa, mas temos de
suportá-la, se quisermos viver sem o apoio de confortadores contos de fadas,
Não devemos também esquecer as questões suscitadas pela filosofia, ou
persuadir-nos de que encontramos, para as mesmas, respostas indubitáveis.
Ensinar a viver sem essa segurança e sem que se fique, não obstante,
paralisado pela hesitação, é talvez a coisa principal que a filosofia, em nossa
época, pode proporcionar àqueles que a estudam.
A filosofia, ao contrário do que ocorreu com a teologia , surgiu, na
Grécia, no século VI antes de Cristo. Depois de seguir o seu curso na
antigüidade, foi de novo submersa pela teologia quando surgiu o Cristianismo
e Roma se desmoronou. Seu segundo período importante, do século YI ao
século XIV, foi dominado pela Igreja Católica, com exceção de alguns poucos
e grandes rebeldes, como, por exemplo, o imperador Frederico II (1195-1250).
Este período terminou com as perturbações que culminaram na Reforma. O
terceiro período, desde o século XVII até hoje, é dominado, mais do que os
períodos que o precederam, pela ciência. As crenças religiosas tradicionais
mantêm sua importância, mas se sente a necessidade de que sejam
justificadas, sendo modificadas sempre que a ciência torna imperativo tal
passo. Poucos filósofos deste período são ortodoxos do ponto de vista
católico, e o Estado secular adquire mais importância em suas especulações do
que a Igreja.
A coesão social e a liberdade individual, como a religião e a ciência,
acham-se num estado de conflito ou difícil compromisso durante todo este
período. Na Grécia, a coesão social era assegurada pela lealdade ao Estado-
Cidade; o próprio Aristóteles, embora, em sua época, Alexandre estivesse
tornando obsoleto o Estado-Cidade, não conseguia ver mérito algum em
qualquer outro tipo de comunidade. Variava grandemente o grau em que a
liberdade individual cedia ante seus deveres para com a Cidade. Em Esparta, o
indivíduo tinha tão pouca liberdade como na Alemanha ou na Rússia
modernas; em Atenas, apesar de perseguições ocasionais, os cidadãos
desfrutaram, em seu melhor período, de extraordinária liberdade quanto a
restrições impostas pelo Estado. 0 pensamento grego, até Aristóteles, é
dominado por uma devoção religiosa e patriótica á Cidade; seus sistemas
éticos são adaptados às vidas dos cidadãos e contêm grande elemento político.
Quando os gregos se submeteram, primeiro aos macedônios e, depois, aos
romanos, as concepções válidas em seus dias de independência não eram mais
aplicáveis. Isto produziu, por um lado, uma perda de vigor, devido ao
rompimento com as tradições e, por outro lado, uma ética mais individual e
menos social. Os estóicos consideravam a vida virtuosa mais como uma
relação da alma com Deus do que como uma relação do cidadão com o
Estado. Prepararam, dessa forma, o caminho para o Cristianismo, que, como o
estoicismo, era, originalmente, apolítico, já que, durante os seus três primeiros
séculos, seus adeptos não tinham influência no governo. A coesão social,
durante os seis séculos e meio que vão de Alexandre a Constantino, f oi
assegurada, não pela filosofia nem pelas antigas fidelidades, mas pela força -
primeiro a força dos exércitos e, depois, a da administração civil. Os exércitos
romanos, as estradas romanas, a lei romana e os funcionários romanos,
primeiro criaram e depois preservaram um poderoso Estado centralizado.
Nada se pode atribuir à filosofia romana, já que esta não existia.
Durante esse longo período, as idéias gregas herdadas da época da
liberdade sofreram um processo gradual de transformação. Algumas das
velhas idéias, principalmente aquelas que deveríamos encarar como
especificamente religiosas, adquiriram uma importância relativa; outras, mais
racionalistas, foram abandonadas, pois não mais se ajustavam ao espírito da
época. Desse modo, os pagãos posteriores foram se adaptando á tradição
grega, até esta poder incorporar-se na doutrina cristã.
O Cristianismo popularizou uma idéia importante, já implícita nos
ensinamentos dos estóicos, mas estranha ao espírito geral da antigüidade, isto
é, a idéia de que o dever do homem para com Deus é mais imperativo do que o
seu dever para com o Estado.l A opinião de que "devemos obedecer mais a
Deus que ao homem", como Sócrates e os Apóstolos afirmavam, sobreviveu à
conversão de Constantino, porque os primeiros cristãos eram arianos ou se
sentiam inclinados para o arianismo. Quando os imperadores se tornaram
ortodoxos, foi ela suspensa temporariamente. Durante o Império Bizantino,
permaneceu latente, bem como no Império Russo subseqüente, o qual derivou
do Cristianismo de Constantinopla. Mas no Ocidente, onde os imperadores
católicos foram quase imediatamente substituídos ( exceto em certas partes da
Gália ) por conquistadores bárbaros heréticos, a superioridade da lealdade
religiosa sobre a lealdade política sobreviveu e, até certo ponto, persiste ainda
hoje.
A invasão dos bárbaros pôs fim, por espaço de seis séculos, à civilização
da Europa Ocidental. Subsistiu, na Irlanda, até que os dinamarqueses a
destruíram no século IX. Antes de sua extinção produziu, lá, uma figura
notável, Scotus Erigena. No Império Oriental, a civilização grega sobreviveu,
em forma dissecada, como num museu, até à queda de Constantinopla, em
1453, mas nada que fosse de importância para o mundo saiu de
Constantinopla, exceto uma tradição artística e os Códigos de Direito Romano
de Justiniano.
Durante o período de obscuridade, desde o fim do século V até a metade
do século XI, o mundo romano ocidental sofreu algumas transformações
interessantes. O conflito entre o dever para com Deus e o dever para com o
Estado, introduzido pelo Cristianismo, adquiriu o caráter de um conflito entre
a Igreja e o rei. A jurisdição eclesiástica do Papa estendia-se sobre a Itália,
França, Espanha, Grã-Bretanha e Irlanda, Alemanha, Escandinávia e Polônia.
A princípio, fora da Itália e do sul da França foi muito leve o seu controle
sobre bispos e abades, mas, desde o tempo de Gregório VII ( fins do século XI
), tornou-se real e efetivo. Desde então o clero, em toda a Europa Ocidental,
formou uma única organização, dirigida por Roma, que procurava o poder
inteligente e incansavelmente e, em geral, vitoriosamente, até depois do ano
1300, em seus conflitos com os governantes seculares. O conflito entre a
Igreja e o Estado não foi apenas um conflito entre o clero e os leigos; foi,
também, uma renovação da luta entre o mundo mediterrâneo e os bárbaros do
norte. A unidade da Igreja era um reflexo da unidade do Império Romano; sua
liturgia era latina, e os seus homens mais proeminentes eram, em sua maior
parte, italianos, espanhóis ou franceses do sul. Sua educação, quando esta
renasceu, foi clássica; suas concepções da lei e do governo teriam sido mais
compreensíveis para Marco Aurélio do que para os monarcas contemporâneos.
A Igreja representava, ao mesmo tempo, continuidade com o passado e com o
que havia de mais civilizado no presente.
O poder secular, ao contrário, estava nas mãos de reis e barões de origem
teutônica, os quais procuravam preservar, o máximo possível, as instituições
que haviam trazido as florestas da Alemanha. O poder absoluto era alheio a
essas instituições, como também era estranho, a esses vigorosos
conquistadores, tudo aquilo que tivesse aparência de uma legalidade monótona
e sem espírito. O rei tinha de compartilhar seu poder com a aristocracia feudal,
mas todos esperavam, do mesmo modo, que lhes fosse permitido, de vez em
quando, uma explosão ocasional de suas paixões em forma de guerra,
assassínio, pilhagem ou rapto. é possível que os monarcas se arrependessem,
pois eram sinceramente piedosos e, afinal de contas, o arrependimento era em
si mesmo uma forma de paixão. A Igreja, porém, jamais conseguiu produzir
neles a tranqüila regularidade de uma boa conduta, como a que o empregador
moderno exige e, às vezes, consegue obter de seus empregados. De que lhes
valia conquistar o mundo, se não podiam beber, assassinar e amar como o
espírito lhes exigia? E por que deveriam eles, com seus exércitos de altivos,
submeter-se ás ordens de homens letrados, dedicados ao celibato e destituídos
de forças armadas? Apesar da desaprovação eclesiástica, conservaram o duelo
e a decisão das disputas por meio das armas, e os torneios e o amor cortesão
floresceram. às vezes, num acesso de raiva, chegavam a matar mesmo
eclesiásticos eminentes.
Toda a força armada estava do lado dos reis, mas, não obstante, a Igreja
saiu vitoriosa. A Igreja ganhou a batalha, em parte, porque tinha quase todo o
monopólio do ensino e, em parte, porque os reis viviam constantemente em
guerra. uns com os outros; mas ganhou-a, principalmente, porque, com muito
poucas exceções, tanto os governantes como ó povo acreditavam sinceramente
que a Igreja possuía as chaves do céu. A Igreja podia decidir se um rei devia
passar a eternidade no céu ou no inferno; a Igreja podia absolver os súditos do
dever de fidelidade e, assim, estimular a rebelião. Além disso, a Igreja
representava a ordem em lugar da anarquia e, por conseguinte, conquistou o
apoio da classe mercantil que surgia. Na Itália, principalmente, esta última
consideração foi decisiva.
A tentativa teutônica .de preservar pelo menos uma independência. parcial
da Igreja manifestou-se não apenas na política, mas, também, na arte, no
romance, no cavalheirismo e na guerra. Manifestou-se muito pouco no mundo
intelectual, pois o ensino se achava quase inteiramente nas mãos do clero. A
filosofia explícita da Idade Média não é um espelho exato da época, mas
apenas do pensamento de um grupo. Entre os eclesiásticos, porém -
principalmente entre os frades franciscanos - havia alguns que, por várias
razões, estavam em desacordo com o Papa. Na Itália, ademais, a cultura
estendeu-se aos leigos alguns séculos antes de se estender até ao norte dos
Alpes. Frederico II, que procurou fundar uma nova religião, representa o
extremo da cultura antipapista; Tomás de Aquino, que nasceu no reino de
Nápoles, onde o poder de Frederico era supremo, continua sendo até hoje o
expoente clássico da filosofia papal. Dante, cerca de cinqüenta anos mais
tarde, conseguiu chegar a uma síntese, oferecendo a única exposição
equilibrada de todo o mundo ideológico medieval
Depois de Dante, tanto por motivos políticos como intelectuais, a síntese
filosófica medieval se desmoronou. Teve ela, enquanto durou, uma qualidade
de ordem e perfeição de miniatura: qualquer coisa de que esse sistema se
ocupasse, era colocada com precisão em relação com o que constituía o seu
cosmo bastante limitado. Mas o Grande Cisma, o movimento dos Concílios e
o papado da renascença produziram a Reforma, que destruiu a unidade do
Cristianismo e a teoria escolástica de governo que girava em torno do Papa. N
o período da Renascença, o novo conhecimento, tanto da antigüidade como da
superfície da terra, fez com que os homens se cansassem de sistemas, que
passaram a ser considerados como prisões mentais. A astronomia de
Copérnico atribuiu á terra e ao homem uma posição mais humilde do que
aquela que haviam desfrutado na teoria de Ptolomeu. O prazer pelos f atos
recentes tomou o lugar, entre os homens inteligentes, do prazer de raciocinar,
analisar e construir sistemas. Embora a Renascença, na arte, conserve ainda
uma determinada ordem, prefere, quanto ao que diz respeito ao pensamento,
uma ampla e fecunda desordem. Neste sentido, Montaigne é o mais típico
expoente da época.
Tanto na teoria política como em tudo o mais, exceto a arte, a ordem sofre
um colapso. A Idade Média, embora praticamente turbulenta, era dominada,
em sua ideologia, pelo amor da legalidade e por uma teoria muito precisa do
poder político. Todo poder procede, em última análise, de Deus; Ele delegou
poder ao Papa nos assuntos sagrados, e ao Imperador nos assuntos seculares.
Mas tanto o Papa como o Imperador perderam sua importância durante o
século XV. O Papa tornou-se simplesmente um dos príncipes italianos,
empenhado no jogo incrivelmente complicado e inescrupuloso do poder
político italiano. As novas monarquias nacionais na França, Espanha e
Inglaterra tinham, em seus próprios territórios, um poder no qual nem o Papa
nem o Imperador podiam interferir. O Estado nacional, devido, em grande
parte, à pólvora, adquiriu uma influência sobre o pensamento e o modo de
sentir dos homens, como jamais exercera antes - influência essa que,
progressivamente, destruiu o que restava da crença romana quanto à unidade
da civilização.
Essa desordem política encontrou sua expressão no Príncipe, de
Maquiavel. Na ausência de qualquer princípio diretivo, a política se
transformou em áspera luta pelo poder. O Príncipe dá conselhos astutos
quanto à maneira de se participar com êxito desse jogo. O que já havia
acontecido na idade de ouro da Grécia, ocorreu de novo na Itália renascentista:
os freios morais tradicionais desapareceram, pois eram considerados como
coisa ligada à superstição; a libertação dos grilhões tornou os indivíduos
enérgicos e criadores, produzindo um raro florescimento do gênio mas a
anarquia e a traição resultantes, inevitavelmente, da decadência da moral,
tornou os italianos coletivamente impotentes, e caíram, como os gregos, sob o
domínio de nações menos civilizadas do que eles, mas não tão destituídas - de
coesão social.
Todavia, o resultado foi menos desastroso do que no caso da Grécia, pois
as nações que tinham acabado de chegar ao poder, com exceção da Espanha,
se mostravam capazes de tão grandes realizações como o havia sido a Itália.
Do século XVI em diante, a história do pensamento europeu é dominada pela
Reforma. Reforma foi um movimento complexo, multiforme, e seu êxito se
deve a numerosas causas. De um modo geral, foi uma revolta das nações do
norte contra o renovado domínio de Roma. A religião fora a força que
subjugara o Norte, mas a religião, na Itália, decaíra: o papado permanecia
como uma instituição, extraindo grandes tributos da Alemanha e da Inglaterra,
mas estas nações, que eram ainda piedosas, não podiam sentir reverência
alguma para com os Bórgias e os Médicis, que pretendiam salvar as almas do
purgatório em troca de dinheiro, que esbanjavam no luxo e na imoralidade.
Motivos nacionais motivos econômicos e motivos, religiosos conjugaram-se
para fortalecer a revolta contra Roma. Além disso, os príncipes logo
perceberam que, se a Igreja se tornasse, em seus territórios, simplesmente
nacional, eles seriam capazes de dominá-la, tornando-se, assim, muito mais
poderosos, em seus países, do que jamais o haviam sido compartilhando o seu
domínio com o Papa. Por todas essas razões, as inovações teológicas de
Lutero foram bem recebidas, tanto pelos governantes como pelo povo, na
maior parte da Europa Setentrional.
A Igreja Católica procedia de três fontes. Sua história sagrada era judaica;
sua teologia, grega, e seu governo e leis canônicas, ao menos indiretamente,
romanos. A Reforma rejeitou os elementos romanos, atenuou os elementos
gregos e fortaleceu grandemente os elementos judaicos. Cooperou, assim, com
as forças nacionalistas que estavam desfazendo a obra de coesão nacional que
tinha sido levada a cabo primeiro pelo Império Romano e, depois, pela Igreja
Romana. Na doutrina católica, a revelação divina não terminava na sagrada
escritura, mas continuava, de era em era, através da Igreja, à qual, pois, era
dever do indivíduo submeter suas opiniões pessoais. Os protestantes, ao
contrário, rejeitaram a Igreja como veículo da revelação divina; a verdade
devia ser procurada unicamente na Bíblia, que cada qual podia interpretar à
sua maneira. Se os homens diferissem em sua interpretação, não havia
nenhuma autoridade designada pela divindade que resolvesse tais
divergências. Na prática, o Estado reivindicava o direito que pertencera antes
à Igreja - mas isso era uma usurpação. Na teoria protestante, não devia haver
nenhum intermediário terreno entre a alma e Deus.
Os efeitos dessa mudança foram importantes. A verdade não mais era
estabelecida mediante consulta à autoridade, mas por meio da meditação
íntima. Desenvolveu-se, rapidamente, uma tendência para o anarquismo na
política e misticismo na religião, o que sempre fora difícil de se ajustar à
estrutura da ortodoxia católica. Aconteceu que, em lugar de um único
Protestantismo, surgiram numerosas seitas; nenhuma filosofia se opunha à
escolástica, mas havia tantas filosofias quantos eram os filósofos. Não havia,
no século XIII, nenhum Imperador que se opusesse ao Papa, mas sim um
grande número de reis heréticos. O resultado disso, tanto no pensamento como
na literatura, foi um subjetivismo cada vez mais profundo, agindo primeiro
como uma libertação saudável da escravidão espiritual mas caminhando,
depois, constantemente, para um isolamento pessoal, contrário à solidez
social.
A filosofia moderna começa com Descartes, cuja certeza fundamental é a
existência de si mesmo e de seus pensamentos, dos quais o mundo exterior
deve ser inferido. Isso constitui apenas a primeira fase de um desenvolvimento
que, passando por Berkeley e Kant, chega a Fichte, para quem tudo era apenas
uma emanação do eu. Isso era uma loucura, e, partindo desse extremo, a
filosofia tem procurado, desde então, evadir-se para o mundo do senso comum
cotidiano.
Com o subjetivismo na filosofia, o anarquismo anda de mãos dadas com a
política. Já no tempo de Lutero, discípulos inoportunos e não reconhecidos
haviam desenvolvido a doutrina do anabatismo, a qual, durante algum tempo,
dominou a cidade de Wünster. Os anabatistas repudiavam toda lei, pois
afirmavam que o homem bom seria guiado, em todos os momentos, pelo
Espírito Santo, que não pode ser preso a fórmulas. Partindo dessas premissas,
chegam ao comunismo e à promiscuidade sexual. Foram, pois, exterminados,
após uma resistência heróica. Mas sua doutrina, em formas mais atenuadas, se
estendem pela Holanda, Inglaterra e Estados Unidos; historicamente, é a
origem do "quakerismo". Uma forma mais feroz de anarquismo, não mais
relacionada Com a religião, surgiu no século XIX. Na Rússia, Espanha e, em
menor grau, na Itália, obteve considerável êxito, constituindo, até hoje, um
pesadelo para as autoridades americanas de imigração. Esta versão moderna,
embora anti-religiosa, encerra ainda muito do espírito do protestantismo
primitivo; difere principalmente dele devido ao fato de dirigir contra os
governos seculares a hostilidade que Lutero dirigia contra os Papas.
A subjetividade, uma vez desencadeada, já não podia circunscrevem-se
aos seus limites, até que tivesse seguido seu curso. Na moral, a atitude enfática
dos protestantes, quanto à consciência individual, era essencialmente
anárquica. O hábito e o costume eram tão fortes que, exceto em algumas
manifestações ocasionais, como, por exemplo, a de Münster, os discípulos do
individualismo na ética continuaram a agir de maneira convencionalmente
virtuosa. Mas era um equilíbrio precário. O culto do século XVIII à
"sensibilidade" começou a romper esse equilíbrio: um ato era admirado não
pelas suas boas conseqüências, ou porque estivesse de acordo com um código
moral, mas devido à emoção que o inspirava. Dessa atitude nasceu o culto do
herói, tal como foi manifestado por Carlyle e Nietzsche, bem como o culto
byroniano da paixão violenta, qualquer que esta seja.
O movimento romântico, na arte, na literatura e na política, está ligado a essa
maneira subjetiva de julgar-se os homens, não como membros de uma
comunidade, mas como objetos de contemplação esteticamente encantadores.
Os tigres são mais belos do que as ovelhas, mas preferimos que estejam atrás
de grades. O romântico típico remove as grades e delicia-se com os saltos
magníficos com que o tigre aniquila as ovelhas. Incita os homens a imaginar
que são tigres e, quando o consegue, os resultados não são inteiramente
agradáveis.
Contra as formas mais loucas do subjetivismo nos tempos modernos tem
havido várias reações. Primeiro, uma filosofia de semicompromisso, a
doutrina do liberalismo, que procurou delimitar as esferas relativas ao governo
e ao indivíduo. Isso começa, em sua forma moderna, com Locke, que é tão
contrário ao "entusiasmo" - o individualismo dos anabatistas como à
autoridade absoluta e à cega subserviência à tradição. Uma rebelião mais
extensa conduz à doutrina do culto do Estado, que atribui ao Estado a posição
que o Catolicismo atribuía à Igreja, ou mesmo, às vezes, a Deus. Hobbes,
Rousseau e Hegel representam fases distintas desta teoria, e suas doutrinas se
acham encarnadas, praticamente, em Cromwell, Napoleão e na Alemanha
moderna. O comunismo, na teoria, está muito longe dessas filosofias, mas é
conduzido, na prática, a um tipo de comunidade bastante semelhante àquela e
que resulta a adoração do Estado.
Durante todo o transcurso deste longo desenvolvimento, desde 600 anos
antes de Cristo até aos nossos dias, os filósofos têm-se dividido entre aqueles
que querem estreitar os laços sociais e aqueles que desejam afrouxá-los. A
esta diferença, acham-se associadas outras. Os partidários da disciplina
advogaram este ou aquele sistema dogmático, velho ou novo, chegando,
portanto a ser, em menor ou maior grau, hostis à ciência, já que seus dogmas
não podiam ser provados empiricamente. Ensinavam, quase invariavelmente,
que a felicidade não constitui o bem, mas que a "nobreza" ou o "heroísmo"
devem ser a ela preferidos. Demonstravam simpatia pelo que havia de
irracional na natureza humana, pois acreditavam que a razão é inimiga da
coesão social. Os partidários da liberdade, por outro lado, com exceção dos
anarquistas extremados, procuravam ser científicos, utilitaristas, racionalistas,
contrários à paixão violenta, e inimigos de todas as formas mais profundas de
religião. este conflito existiu, na Grécia, antes do aparecimento do que
chamamos filosofia, revelando-se já, bastante claramente, no mais antigo
pensamento grego. Sob formas diversas, persistiu até aos nossos dias, e
continuará, sem dúvida, a existir durante muitas das eras vindouras.
É claro que cada um dos participantes desta disputa como em tudo que
persiste durante longo tempo - tem a sua parte de razão e a sua parte de
equívoco. A coesão social é uma necessidade, e a humanidade jamais
conseguiu, até agora, impor a coesão mediante argumentos meramente
racionais. Toda comunidade está exposta a dois perigos opostos: por um lado,
a fossilização, devido a uma disciplina exagerada e um respeito excessivo pela
tradição; por outro lado, a dissolução, a submissão ante a conquista
estrangeira, devido ao desenvolvimento da independência pessoal e do
individualismo, que tornam impossível a cooperação. Em geral, as civilizações
importantes começam por um sistema rígido e supersticioso que, aos poucos,
vai sendo afrouxado, e que conduz, em determinada fase, a um período de
gênio brilhante, enquanto perdura o que há de bom na tradição antiga, e não se
desenvolveu ainda o mal inerente à sua dissolução. Mas, quando o mal
começa a manifestar-se, conduz à anarquia e, daí, inevitavelmente, a uma
nova tirania, produzindo uma nova síntese, baseada num novo sistema
dogmático. A doutrina do liberalismo é uma tentativa para evitar essa
interminável oscilação. A essência do liberalismo é uma tentativa no sentido
de assegurar uma ordem social que não se baseie no dogma irracional, e
assegurar uma estabilidade sem acarretar mais restrições do que as necessárias
à preservação da comunidade. Se esta tentativa pode ser bem sucedida,
somente o futuro poderá demonstrá-lo.