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sexta-feira, dezembro 15, 2006

Serás...Serei

Serás... Serei...

Bem... Agora seremos irmãos, unidos pelo amor maior, maior que o familiar e superior a desejos e afeição.
Desejos hostis, indecorosos, obscenos, sutis, humanos e febris, serão esquecidos. Agora seremos como dois irmãos livres para ser livres, presos à dor de desilusões.
Meus sentidos não mais ousarão apreciar tua beleza feminina com segundas intenções, não mais desejará teu corpo com apetite viril e tanta sofreguidão. Meus sentidos apenas serão sentidos; sentidos sem razão!

Agora seremos verdadeiros irmãos, leais e compreensivos.
E solidários, íntimos e íntegros, viveremos em perfeita harmonia na maravilhosa clausura da consciência; e livre para voarmos pelos campos da inocência genuína desse amor ingênuo, será como verdadeiros irmãos. Seremos livres como quem desconhece o que é liberdade. Agora seremos irmãos: verdadeiros traidores de nós mesmos, falsos para com o coração e a vida. Seremos natureza, sensibilidade nitidamente visível e indubitavelmente misteriosa em complexidade e segredos.

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Há em ti a quietude das águas dos negros lagos silenciosos entre verdes montanhas. Há em ti a mansidão do mar se avistado a distancia por um nobre aventureiro interstelar. Há em ti o incrível verde das matas, de suavidade plena, de paz preguiçosa, inerte para quem não sabe do vigor dos rebentos na desatinada fome de se copular, desabrochar-se flor, e expandir-se em vidas diversas. Há em ti o instinto selvagem, a ampla sensibilidade humana; toda beleza exuberante da fauna e da flora. Mas tu serás sempre Sol, eu sempre serei Eu!

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Tu serás sempre sol, a brilhar vivamente estimulando a vida, a reanimar corpos inertes regenerando-lhes o vigor e os sentidos, a arrancar perfumes ocultos para os entregar ao vento que passa... E passa.

Eu serei sempre Eu!
Tu serás sempre sol, a plantar alegria que produz sentimentos diversos e em abundancia. E teu vento radioso e morno colherá o melhor fruto, aquele venturoso fruto cujo estrato lhe convier e suas cores e forma lhe seduzir.

Serei Eu, para sempre serei Eu!
E tu serás sempre sol, a inspirar poesias ou lamentos a mentes insanas e vaidosas e a corações desvairados e tristes, a encantar olhos tontos, tontos de te espiar. Ah! Este teu olhar hipnótico e radioso, que penetra lagos sombrios e desvenda segredos sussurrados e naufragados, é como uma espada luminosa que traspassa através dos olhos e atinge a alma. Tantos, tantos desejos proibidos! Melancolias, sonhos infantis, lágrimas choradas em silêncio e entregue aos cuidados das águas. Tanto pensamento em vão, desvendados num simples golpe deste olhar. E seu reflexo nas águas mansas a convidar-me _ simples mortal_ a pensar pensamento imaculado, de santos irmãos, como se tivéssemos, eu e você, poderes e sabedoria de deuses, e domínio sobre nossas vontades que são ordens emitidas pelo entendimento entre o coração e a razão, sob o desígnio do amor que possui a insígnia da grandeza. Pensamentos imaculados, eu, humilde e inocente, no amor, tal como sou, é o próprio amor que sinto, cândido e delicado, obediente e respeitoso, porém autólatra, e nesta sua autofilia consiste o sentido da vida, os sentimentos sublimes, insubstituíveis e essenciais para se viver com dignidade com ou sem a pessoa a quem se ama.

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O reflexo do teu olhar, suas palavras e sua atitude... Estranho altruísmo.
O que retiras do fundo das águas e o que escapa de si nas ondas luminosas que luciluzem induzindo-me a um novo pensar torna-se reflexividade mútua. Refleti-los, a sublimidade da tua imitação divina e a pobreza dos ínfimos é loucura. E o que por detrás das cascatas e no fundo das escuras águas padecem pecará por omissão ao negar-te amor na sua plenitude?! Deixai os germens e as gaivotas alçarem vôo ao cume de suas montanhas e aos céus de cada imensidão. Que cada qual se deleite ao sol do seu infinito e o cultue na sua fé íntima.

Bem... Verei tua beleza com naturalidade, não deixarei enrubescer minha face diante incidentes ocasionais que hão de permitir-me ver partes íntimas do teu corpo. Tua nudez não mais vestirá meus olhos, os quais não mais nublará inibidos a teus encantos, meu amor... _ de irmão_ apagará o fogo flamejante que outrora queimaria meu rosto devido o sangue latejante a inflamar o coração em agonia por tentar esconder o fluido agora em forçosa pulsação latente. Bem, agora seremos irmãos.

Eu serei sempre eu! Tu serás sempre sol!
Terás sempre o brilho que reluz
A luz que irradia _ beleza que fere os olhos enquanto acaricia.
Força motriz de vida e desfalecimento,
Que mata e faz germinar,
Eclode e desabrolha sementes,
Faz matas e matas.

­­Tu serás sol! Porque algo de verdadeiro é preciso que sobreviva,
que exista e seja eterno. Senão que sentido fará sentido a esta razão de cega pretensão e dolorosa significância? O pecado da ignorância!?
Eu serei eu, apenas eu; porque isso é o que sou: Ray!


Apenas Ray, tão somente eu.
O Perfume de um pensamento
Algo estranho ignorado no tempo
A mercê da sorte,
Solto ao vento.
Um estranho instrumento,
Vulgar e em desuso,
Um excêntrico som, _ tom mudo _,
Música desconhecida,
Familiar, porém nunca ouvida.
Lembrança de nenhum passado.
.



Não devo mais te desejar.
Não mais que a árvore ao próprio fruto
Sem intento e sem instinto,
Naturalmente,
Ao acaso e em silêncio
Num torpe silêncio
Nesse insano hermafroditismo
Indecoroso e deprimente
Nessa insanidade entorpecente,
De mim disperso, ausente...
Incesto.

Seguiremos assim: lado a lado
Mãos entrelaçadas ou não, tanto faz,
O prazer será o mesmo;
Basta-nos a certeza de sermos nós
Ignorando quem intimamente éramos
E que ainda somos.
Eu sempre serei eu... Tu serás sol, sempre Sol.
E quando te banhares nas águas cristalinas
Das fontes murmurantes
E as moléculas eufóricas acariciarem teu corpo nu
E derem voz a tuas verdades cintilantes
Permita-te apenas pensar-nos, nós dois irmãos,
Amantes da natureza
Sem pecado e sem nenhuma pretensão.
Limita-te em saber que eu sou apenas eu;
Sempre serei eu, vivo, no tempo e no espaço,
Indiferente ao calor do teu abraço,
Serei sempre uma extensão de ti,
Uma ilusão real, inofensiva e maleável,
Uma molécula luzente,
Um espírito de luz; de tua luz.
E o amor que sinto _ este sentimento atroz _,
É apenas reflexo do teu esplendor,
Tu es sol, serás sempre sol, uma Estrela! ... E eu tua sombra uma magnífica sombra minimizadamente altiva.

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